Percussônica

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O Show ia começar. Da platéia, observei Zé Eduardo, Lelo e Felipe entrarem no palco, a casa cheia anunciava que algo diferente ia acontecer naquela noite. Tive a oportunidade de assistir a shows desses três músicos em diversas formações e arranjos musicais. Naquele dia, a história era diferente, o grupo criado para essa apresentação mostrava sintonia, brilho e, posso dizer até para os mais céticos, que presenciei a espiritualidade vital que a energia necessitava para o desenrolar do som.

A fusão que ocorre quando juntamos Zé Eduardo e Lelo Nazário é uníssona. Felipe é a sonoridade paralela que integra e tempera com bom gosto o diálogo musical ali existente. É difícil dizer. Dos trabalhos do Grupo Um, Pau Brasil, Duo Nazário, O Quinteto, tudo isso reformado e criado, recriado, inovado de forma simples para um primeiro instante, mas se colocam longe disso. A complexidade sonora criada por esses três percussionistas (por que não dizer?) – cada um com seu devido instrumento – faz desse trabalho, gravado ao vivo, um caleidoscópio único, paisagem de um Brasil rico e diverso, pondo a música na linhagem criativa.

Algo como se um rolo compressor na forma visceral – de postura louca, calma, de rua, estudada, antagônica – tomasse forma e fizesse surgir composições com uma linguagem ímpar, tal como N’daê e Maracatú, meandros com cores que vislumbram junto às outras composições presentes neste CD.

Dessa forma, confesso aqui que, para mim, é difícil dizer em palavras, sentimentos que afloram ao ouvir um disco cuja a capacidade de criação está acima do aparente, talvez até mais que os próprios músicos imaginem ser.

Daniel A Neves


Músicas

  • N’daê
  • Percusônica
  • Festa de Rua
  • Flor do Sul
  • Dança das Águas
  • Maracatu
  • O Sétimo Portal
  • A Xêpa
  • Psicopático

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